<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"
	article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">oj</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Opinião Jurídica</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Opin. Jur.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">1806-0420</issn>
			<issn pub-type="epub">2447-6641</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro Universitário Christus</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.12662/2447-6641oj.v17i25.p37-56.2019</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Avaliação dos Impactos da Política Pública de Cotas na
					Índia</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Evaluation of the Impacts of the Public Policy for Quotas in
						India</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>Evaluación de los Impactos d la Política Pública de Cupos en
						India</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-9996-3485</contrib-id>
					<name>
						<surname>Lima</surname>
						<given-names>José Wilson Ferreira</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000- 0002-7425-7066</contrib-id>
					<name>
						<surname>Machado</surname>
						<given-names>Bruno Amaral</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Centro Universitário de Brasília</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Instituto Brasiliense de Direito
					Público</institution>
				<email>wferreiraster@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutorando em Direito - Centro Universitário de
					Brasília. Mestre em Direito Constitucional - Instituto Brasiliense de Direito
					Público. Promotor de Justiça - Ministério Público do Distrito Federal e
					Territórios. E-mail: &lt;wferreiraster@gmail.com&gt;.
					http://orcid.org/0000-0002-9996-3485</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade de Brasília</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Sociologia</institution>
				<email>brunoamachado@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutor em Direito pela Universidade de
					Barcelona. Estágio de pós-doutorado no Departamento de Sociologia da
					Universidade de Brasília. Master Europeu do Programa Criminal Justice and
					Critical Criminology. Professor da Graduação e dos Programas de Mestrado e
					Doutorado em Direito do Uniceub. Professor do Programa de Doutorado em Ciências
					Penais da Universidade de San Carlos (Guatemala) e pesquisador do Departamento
					de Sociologia da Unb. E-mail: &lt;brunoamachado@hotmail.com&gt;.
					https://orcid.org/0000-0002-7425-7066</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="edited-by">
					<p>Editora responsável: Profa. Dra. Fayga Bedê <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-6444-2631"
							>https://orcid.org/0000-0001-6444-2631</ext-link></p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>17</volume>
			<issue>25</issue>
			<fpage>37</fpage>
			<lpage>56</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>15</day>
					<month>05</month>
					<year>2018</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>25</day>
					<month>09</month>
					<year>2018</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
						distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
						que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O artigo tem por objetivo avaliar peculiaridades inerentes à adoção do sistema de
					cotas em contextos sociais, políticos e culturais distintos da sociedade
					brasileira. Pretende verificar o impacto que a adoção desse sistema proporcionou
					em termos de mudanças na ordem social da Índia. Diante dos estudos
					fundamentados, entende-se que a experiência adquirida em torno dos modelos de
					cotas que outros países adotaram fornece subsídios esclarecedores e
					significativos sobre como esses modelos podem operar transformações de acordo
					com as características de cada sítio de análise, cujas diferenças de organização
					social, política, econômica, jurídica e religiosa refletem os aspectos
					peculiares de cada modelo e, por esse motivo, como podem ser determinantes
					quanto ao seu sucesso ou ao seu fracasso. Assim, a avaliação dos impactos das
					políticas públicas instituídas no ambiente internacional pode ser providência
					útil para o Brasil, visando ao enfrentamento de futuras consequências
					decorrentes do emprego dessa modalidade de ação afirmativa.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The purpose of this article is to evaluate the peculiarities inherent to the
					adoption of the quota system in social, political, and cultural contexts
					distinct from the Brazilian society. The intention is to verify the impact that
					the adoption of this system has caused in terms of possible changes in India’s
					social order. It is understood that the experience achieved regarding quota
					models that other countries have adopted provides enlightening and meaningful
					subsidies on how these models can bring transformations according to the
					characteristics of each analyzed location, whose differences in social,
					political, economic, legal, and religious organization reflect the peculiarities
					of each model and, therefore, how they can be decisive for its success or
					failure. The evaluation of the impacts of public policies established in the
					international environment can be a useful measure for Brazil, aiming at facing
					the future consequences of implementing this kind of affirmative action.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>El artículo tiene como objetivo evaluar las peculiaridades inherentes a la
					adopción del sistema de cupos en contextos sociales, políticos y culturales
					diferentes de la sociedad brasileña. Pretende verificar el impacto que la
					adopción de ese sistema ha proporcionado en términos de cambios en el orden
					social de India. Se comprende que la experiencia adquirida de los modelos de
					cupos que otros países han adoptado genera recursos aclaradores y significativos
					sobre cómo pueden provocar transformaciones de acuerdo con las características
					de cada sitio de análisis, cuyas diferencias de organización social, política,
					económica, jurídica y religiosa reflejan los aspectos peculiares de cada modelo
					y, por ese motivo, cómo pueden ser determinantes en cuanto a su éxito o fracaso.
					La evaluación de los impactos de las políticas públicas instituidas
					internacionalmente puede ser una medida útil para el Brasil con miras al
					enfrentamiento de las futuras consecuencias generadas del uso de esa modalidad
					de acción afirmativa.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Avaliação de Políticas Públicas</kwd>
				<kwd>Ações Afirmativas</kwd>
				<kwd>Cotas e Castas</kwd>
				<kwd>Direitos Fundamentais</kwd>
				<kwd>Inclusão e Exclusão</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Evaluation of Public Policies</kwd>
				<kwd>Affirmative Actions</kwd>
				<kwd>Quotas and Castes</kwd>
				<kwd>Fundamental Rights</kwd>
				<kwd>Inclusion and Exclusion</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Evaluación de políticas públicas</kwd>
				<kwd>Acciones afirmativas</kwd>
				<kwd>Cupos y castas</kwd>
				<kwd>Derechos fundamentales</kwd>
				<kwd>Inclusión y exclusión.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1 INTRODUÇÃO</title>
			<p>Argumenta-se que as ações afirmativas têm elevado potencial transformador da
				sociedade e, por conseguinte, essa característica reforça e fundamenta a necessidade
				de se considerar as várias possibilidades, negativas e positivas, de como esse
				mecanismo transformador pode influenciar no futuro das próximas gerações, assim como
				fundamentar o propósito acadêmico de analisar e investigar os novos rumos que a
				sociedade brasileira, mestiça e, majoritariamente, pobre, seguirá em razão da adoção
				do sistemas de cotas como portal de acesso ao ensino universitário público e também
				a cargos e a empregos públicos (<xref ref-type="bibr" rid="B10">DUARTE; GUELFI,
					2012</xref>, p. 121).</p>
			<p>O objetivo deste estudo se limita a analisar, no plano internacional,
				particularidades próprias e decorrentes da adoção do sistema de cotas em planos
				sociais, políticos, culturais e até mesmo religiosos distintos daqueles que
				caracterizam a sociedade brasileira, de modo a buscar parâmetros sobre possíveis
				avanços ou retrocessos que esses sistemas possam ter produzido, considerando a
				necessidade de satisfação dos direitos fundamentais de forma abrangente. Pretende-se
				verificar, em particular, o impacto que a adoção das cotas proporcionou em termos de
				eventuais mudanças nas relações sociais, na atualidade, em relação ao modelo
				instituído na Índia, reconhecida como sociedade permeada por sérios problemas de
				desigualdades e de violações dos direitos humanos.</p>
			<p>O recorte do objeto da pesquisa, limitado ao país indicado, é apropriado a partir do
				momento em que a Índia adotou modelo diferenciado e muito específico de política de
				cotas, o qual fornece subsídios esclarecedores e significativos sobre como essa
				política pode operar transformações de acordo com as características próprias desse
				sítio específico de análise, cujas diferenças de organização social, política,
				econômica, jurídica e religiosa são singulares e podem servir de importantes
				referenciais sobre o assunto.</p>
			<p>Busca-se, com isso, o conhecimento sobre a funcionalidade das cotas vigentes na
				Índia, em seus aspectos mais significativos e, especialmente, em razão dos seguintes
				fatores: i) o referido país percorreu caminho diferente do percorrido pelo Brasil
				até atingir a atual conformação de seu regime político e de seu desenho social, a
				partir de experiências particulares; ii) entre a sociedade indiana e a brasileira,
				não há marcos referenciais de identidade ou de afinidade que lhes sejam comuns, de
				modo que a construção social de cada uma e seus respectivos valores se perfilaram em
				torno de padrões próprios de organização, cultura, religiosidade, desenvolvimento
				humano etc., com critérios diferenciados; iii) é certo que os fatores históricos que
				presidiram a formação dessas sociedades não tiveram influências mútuas; iv) em
				consequência do regime de organização social isolado e desconectado entre Índia e
				Brasil, não se pode atribuir que eventuais fracassos ou sucessos experimentados por
				um desses países possam concorrer para eventuais avanços ou retrocessos do outro,
				como se o modelo de cotas que cada um adotou tivesse pontos de contatos comuns que
				pudessem refletir, interna e externamente, nos limites geopolíticos de cada uma
				dessas sociedades.</p>
			<p>Enfim, são modelos independentes. Desse modo, a experiência da Índia, quanto ao
				sistema de cotas, é particularmente importante para a história, quanto às reais
				consequências dos programas de ações afirmativas, notadamente porque muito do que se
				passou naquele país foi o prenúncio do que ocorreu mais tarde em outros países, que
				seguiram o exemplo indiano de instituição de programas de ações afirmativas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B30">SOWEL, 2016</xref>, p. 71-72). Ademais, a avaliação
				sobre o impacto de políticas públicas instituídas no ambiente internacional e com
				especial conformação em torno dos sistemas de cotas pode ser uma providência que
				ajudará a compreender de forma sistematizada como a Índia tem se comportado diante
				das consequências advindas da implantação dessa ação afirmativa.</p>
			<p>Com efeito, reconhece-se a necessidade de se adensar o debate sobre as categorias
				jurídicas e experiências que possam subsidiar o enfrentamento de novos desafios em
				torno de programas de ações complexas (<xref ref-type="bibr" rid="B7">COUTINHO,
					2013</xref>, p. 187-188), como é o caso das ações afirmativas instrumentalizadas
				mediante o emprego de cotas. A avaliação sobre o emprego destas e dos seus
				resultados no ambiente internacional pode constituir valoroso e útil método para dar
				suporte às novas decisões e aos debates quanto aos sistemas de cotas instituídos no
				Brasil.</p>
			<p>Acrescente-se que essa perspectiva também se justifica devido ao fato de que, em
				regra, os objetivos das políticas públicas raramente são clarificados pelo
				legislador ou porque há outros caminhos que poderiam ser seguidos, com diferentes
				modos de serem alcançados, ou porque essas políticas estão constantemente sujeitas a
				novas adaptações, a ajustes, a avaliações, a revisões e a aprendizados (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">COUTINHO, 2013</xref>, p. 188).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2 O REGIME DE COTAS NA ÍNDIA</title>
			<p>A discriminação sistemática vivenciada na Índia em razão da adoção do modelo social
				fundado em castas tem sido questão profunda, sensível e extremamente politizada,
				mesmo considerando as expressas disposições constitucionais e legislativas definidas
				para a proteção das pessoas socialmente excluídas naquele país. O sistema de castas
				indiano pode ser sintetizado como modelo de estratificação social que se define pela
				formação de grupos endogâmicos e hereditários, denominados castas, estimando-se que
				estas tenham surgido há 3000 anos (<xref ref-type="bibr" rid="B16">HOWARD; PRAKASH,
					2011</xref>, p. 4).</p>
			<p>Casta, por definição, é um vocábulo de origem portuguesa, a partir do latim
					<italic>castus</italic>, e consiste em uma organização grupal, socialmente
				fechada, que pratica a endogamia (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MASCARENHAS,
					1924</xref>, p. 27). É o modelo praticado na sociedade indiana, que se
				operacionaliza mediante estruturas hierarquizadas, divide a sociedade em grupos
				superiores ou puros e em grupos inferiores ou impuros, proíbe casamentos mistos e
				fixa a própria divisão de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B32">WADE,
					2015</xref>, p. 16). Por conseguinte, a adoção do sistema de castas implica três
				situações: i) a especialização hereditária, ii) a organização hierárquica e iii) a
				repulsa mútua. Consequentemente, uma casta pode estar situada em uma posição cimeira
				da hierarquia não pelo fato de obter obediência das outras, mas porque está mais
				próxima de um determinado valor. No caso indiano, a casta cimeira é a que está mais
				distante da impureza da vida animal (<xref ref-type="bibr" rid="B20">MALTEZ,
					2009</xref>, p. 1).</p>
			<p>Com efeito, o sistema de castas indiano é baseado numa rígida hierarquia social que
				atribuiu aos “intocáveis” (<italic>untouchables</italic>) a posição social mais
				baixa (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CHANDOLA, 1992</xref>, p. 102), sendo
				largamente referenciado como fonte de desigualdades e de segregação social (<xref
					ref-type="bibr" rid="B31">VITHAYATHIL; SINGH, 2012</xref>, p. 60). Nessa ordem,
				a opressão baseada em castas na Índia vive hoje num ambiente aparentemente hostil à
				sua presença, caso se considere, por exemplo, a existência de leis destinadas a
				proscrever e a punir atos de discriminação com base em castas e os programas de
				ações afirmativas que incluem cotas constitucionalmente destinadas para os
				“intocáveis”. Entretanto, paradoxalmente, questiona-se como e por que essa fórmula,
				visando à igualdade e ao nivelamento, tem feito tão pouco para mitigar séculos de
				opressão e de exclusão para mais de 167 milhões de <italic>dalits</italic> ou
				oprimidos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">NARULA, 2008</xref>, p. 255).</p>
			<p>A Índia dos dias atuais, com uma população total superior a 1,3 bilhões de
				habitantes, orienta-se pela conjugação do modelo social de castas e da experiência
				política das cotas, sendo estas exemplos dos meios empregados com a pretensão de se
				buscar algum nível de equilíbrio social, visando, com isso, a alcançar medidas que
				favoreçam avanços no campo do desenvolvimento humano. Nessa ordem, a Constituição da
				Índia reconhece cada indivíduo como igual, garantindo, portanto, o Direito à
				Igualdade como expressão de direito fundamental e assume que, em razão dele, são
				proibidas discriminações de qualquer natureza (<xref ref-type="bibr" rid="B30"
					>SOWEL, 2016</xref>, p. 40), a exemplo da religião, da raça, da casta, do gênero
				ou da origem, como também tutela a igualdade de oportunidades em matéria de empregos
				e de outros direitos de envergadura social e econômica (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">CENTRE FOR BUDGET AND GOVERNANCE ACCOUNTABILITY, 2015</xref>, p.
				2).</p>
			<p>Desse modo, ao menos formalmente, o Estado indiano promete igualdade para todos os
				cidadãos, mediante direito reconhecido na Constituição e, para esse fim, são
				inúmeras as normas que tratam da obrigação de o Estado proporcionar iguais
				oportunidades para todos nas esferas social, política e econômica (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">HARRISS-WHITE; PRAKASH, 2010</xref>, p. 4). Entre as
				diferentes alternativas em políticas públicas sociais, nota-se que o Estado indiano
				incorporou as ações afirmativas. Todavia, interessa observar que, naquele país, o
				uso dessas ações pode ser compreendido como resultado de circunstâncias sociais,
				culturais, étnicas, geográficas, históricas, políticas e demográficas, devendo-se
				enfatizar que as discriminações orientadas pelas castas e pelos gêneros estão
				profundamente enraizadas na educação sociocultural, política e psicológica do povo
					(<xref ref-type="bibr" rid="B11">GUPTA, 2006</xref>, p. 5).</p>
			<p>Diante dessa realidade, é importante ter em conta que a estrutura da ordem social na
				Índia se orienta pelo critério da hierarquização, especialmente quanto às tradições
				religiosas, da qual o povo indiano representa 82% da população (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">KUMAR, 2014</xref>, p. 36), o que equivale, em números
				atuais, a aproximadamente 1,1 bilhões de indivíduos. Devido a isso, exclusão social
				pode se referir, na Índia, a processos com várias dimensões, com várias combinações
				de exclusões que se associam à possibilidade de afastamento do núcleo de tomada de
				decisões no processo político, do acesso aos empregos e aos recursos materiais e até
				do processo de integração cultural (<xref ref-type="bibr" rid="B19">KUMAR,
					2014</xref>, p. 37). Ao lado disso, há os constantes conflitos, por situações
				comuns e ideológicas, que elevam os níveis de violência na sociedade e fomentam mais
				exclusões, formais e informais, com reflexos na intensificação das desigualdades
				sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B19">KUMAR, 2014</xref>, p. 47). Em acréscimo,
				avalia-se a questão do controle político sempre presente, argumentando-se que, por
				esse viés, as políticas baseadas no reconhecimento de que certos grupos são
				sub-representados podem ser vistas com o sentido de controle político e que, em
				certas circunstâncias, o reconhecimento de grupos baseados no gênero pode ser menos
				perturbador para as relações de poder do que o reconhecimento de grupos mais
				claramente identificados em classes sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B27">RAI,
					1999</xref>, p. 89).</p>
			<p>Frente a essa particularidade, vale conferir que atualmente a ordem social indiana
				comporta castas (tradicionais) ou estruturas sociais distintas decorrentes da
				orientação religiosa <italic>hindu</italic>: <italic>Brahmins</italic>,
					<italic>Rajanya</italic>, <italic>V aishyas</italic> e <italic>Shudras</italic>.
				Paralelamente a essa composição, identificam-se três grupos também distintos
				decorrentes da classificação estatal, que são: i) <italic>Scheduled Castes</italic>
				(SCs), ii) <italic>Scheduled Tribes</italic> (STs) e iii) <italic>Other Backward
					Classes</italic> (OBCs). Entretanto, não há nenhuma definição de critérios
				precisos (objetivos) sobre como eleger o <italic>status</italic> individual quanto à
				casta ou à tribo de pertencimento, de modo que, devido a essa imprecisão, tem-se a
				porta aberta para algumas práticas arbitrárias (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>CASSAN, 2014</xref>, p. 4).</p>
			<p>Ademais, uma importante característica para a estabilização das castas indianas foi a
				restrição de mobilidade entre elas, de maneira que o nascimento em uma casta em
				particular confina a pessoa a permanecer nela e restringe sua mobilidade para cima
				ou para baixo na hierarquia (<xref ref-type="bibr" rid="B9">DESHPANDE, 2010</xref>,
				p. 17). Assim, diante das inúmeras fragilidades sociais e individuais que
				caracterizam a maioria da população indiana, consideradas como desvantagens
				históricas dos grupos, o Governo fez uso de ações afirmativas como instrumento
				político especialmente dirigido para corrigir graves distorções sociais. Para
				atingir esse propósito, a Constituição da Índia estipulou que cada Estado deverá
				reservar vagas de emprego no setor público para os integrantes das SCs e das STs,
				reconhecendo-as como as principais classes em desvantagens naquele país (<xref
					ref-type="bibr" rid="B26">PRAKASH, 2009</xref>, p. 1). Nesse contexto,
				justifica-se que, em resposta ao ônus do estigma social e do atraso econômico
				suportados pelos integrantes das castas inferiores, a Constituição tenha
				estabelecido disposições especiais que favorecessem os membros desses grupos (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">BOROOAH, 2005</xref>, p. 399).</p>
			<p>A propósito, impõe-se considerar que, à medida que a Índia assumiu a atual
				conformação política (período pós-independência, que ocorreu em 1947), questões
				complexas sobre o sistema de castas ocuparam os debates, especialmente quanto à
				necessidade de elaboração da Constituição e do estabelecimento de nova ordem social.
				Naquele momento, os argumentos foram lançados em termos filosóficos e pragmáticos,
				entendendo-se que uma política de igualdade não poderia ser produzida sem que se
				buscasse igualdade social e econômica (<xref ref-type="bibr" rid="B27">RAI,
					1999</xref>, p. 89). No entanto, hoje, diante do quadro político global,
				afirma-se que a Índia tem a sociedade mais multiétnica do mundo e, nessa mesma
				medida, a mais fragmentada do ponto de vista social, tratando-se de comunidade com
				centenas de línguas e centenas de dialetos, sendo também onde mais intensamente se
				manifestam os regimes das castas, das divisões étnicas e das tradições religiosas,
				que se expressam de formas radicalmente variadas, além de ser a nação com o mais
				longo histórico de ações afirmativas (<xref ref-type="bibr" rid="B29">SAREEN; SHAH,
					2013</xref>, p. 6).</p>
			<p>Em verdade, embora a Constituição tenha fixado cotas para as SCs e STs por um período
				de dez anos, o fato é que elas foram frequentemente estendidas, sem que houvesse
				qualquer discussão ou debate político pelo Parlamento (<xref ref-type="bibr"
					rid="B13">HEYER; JAYAL, 2009</xref>, p. 15). Cumpre esclarecer a esse respeito
				que as reservas originais especificadas na Constituição da Índia, aprovadas em
				novembro de 1949, expirariam no ano de 1960. Todavia, elas foram prorrogadas várias
				vezes e, em razão disso, em todas as instituições de Ensino Superior controladas
				pelo Governo Federal, 7,5% dos lugares foram reservados para as STs e 15% reservados
				para as SCs, não havendo, porém, reservas em favor das OBCs nessas instituições
					(<xref ref-type="bibr" rid="B1">BERTRAND; HANNA; MULLAINATHAN, 2010</xref>, p.
				18).</p>
			<p>As ações afirmativas, ou <italic>Reservation System</italic>, como são chamadas na
				Índia, são políticas produzidas com a pretensão de alcançar nivelamento social e,
				normalmente, implicam que um tipo de cota seja reservado para uma categoria especial
				de pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">KEDIA, 2015</xref>, p. 2). Nesse
				contexto, as reservas podem ser agrupadas e especialmente destinadas para as
				categorias da política, da educação e do emprego (<xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>JANGIR, 2013</xref>, p. 126). Entretanto, curiosamente, chama a atenção a
				circunstância a que tais reservas foram destinadas - oficialmente - apenas em favor
				das SCs e STs, todavia não beneficiaram as OBCs.</p>
			<p>Nesse aspecto, convém observar que tal situação decorre de expressa determinação
				legal, a qual assegura que as principais categorias de ações afirmativas devem ser
				destinadas para as SCs e as STs, tudo de acordo com o texto constitucional (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">KEDIA, 2015</xref>, p. 3). De qualquer modo, vale
				conferir que a reserva de cotas associada ao sistema de castas, atendendo-se às
				intenções dos legisladores constituintes, teve a pretensão de garantir o
				estabelecimento da igualdade e da fraternidade, e não a separação e a discórdia
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">KEDIA, 2015</xref>, p. 4). Não obstante, as
				vagas reservadas para os membros das OBCs, grupos dos menos favorecidos, são menos
				prevalentes (<xref ref-type="bibr" rid="B29">SAREEN; SHAH, 2013</xref>, p. 14).
				Desse modo, embora a Constituição ostensivamente proibisse a discriminação contra as
				OBCs, o fato é que não foram instituídas políticas específicas de ações afirmativas
				para elas. Com efeito, já no ano de 1953, o Governo Federal formou comissão para
				estudar a situação das OBCs, de modo que, posteriormente, a comissão recomendou que
				2399 castas “atrasadas” adicionais, que somariam aproximadamente 40% da população,
				também fossem favorecidas com as reservas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BERTRAND;
					HANNA; MULLAINATHAN, 2010</xref>, p. 18).</p>
			<p>Feitos esses esclarecimentos, passa-se a conferir como se tem articulado os dois
				grandes eixos da história indiana, mediante a conexão entre o milenar e,
				provavelmente, mais antigo sistema de ordenação social - de castas - do mundo,
				acreditando-se que, historicamente, tenha se iniciado com a chegada dos
				conquistadores arianos na Índia, em torno de 1.500 a.C (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">DESHPANDE, 2010</xref>, p. 19), e que ainda se mantém como importante
				referencial histórico, sociológico e religioso, ao lado do sistema de cotas,
				presente na história recente de alguns países, incluindo-se o Brasil. Nesse aspecto,
				destaca-se que o regime de castas não é tipo de organização social privativo da
				Índia, pois também existiu no Egito e na Pérsia, assim como em quase todas as
				regiões invadidas pelos povos arianos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MASCARENHAS,
					1924</xref>, p. 28).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3 SOCIEDADE, CASTAS E IDENTIDADE NA ÍNDIA</title>
			<p>Pode-se afirmar que, na Índia, o seu sistema de castas equivale a um modelo de
					<italic>apartheid</italic> oculto, especialmente por se tratar de sociedade
				rigidamente estratificada, na qual cada nível de estratificação está associado a
				grupos muito específicos de pessoas e às respectivas funções que podem desempenhar.
				Nesse modelo, os <italic>Brahmins</italic> exercem funções próprias de sacerdotes,
				eruditos e professores; os <italic>Kshatriyas</italic> (<italic>Rajanyas</italic>)
				são os que exercem os governos e as funções dignatárias e militares; os
					<italic>Vaishyas</italic> exercem o comércio, os negócios e o artesanato,
				enquanto os <italic>Shudras</italic> atuam como prestadores de serviços,
				agricultores e operários.</p>
			<p>Todavia, nessa organização, destaca-se a casta mais baixa, que corresponde aos grupos
				dos excluídos. São pessoas consideradas párias, escórias, a quem geralmente são
				impostas atividades tipicamente sujas e ritualmente poluidoras, como os serviços com
				o couro e a limpeza de esgoto (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH, 2015</xref>,
				p. 141-142). De fato, há rigorosamente uma equivalência de cada casta com uma
				atividade vocacional predeterminada, como a predisposição para a atividade
				religiosa, que destaca a ética a qual valoriza o sagrado, do que decorre, por
				exemplo, normas e valores, padrões culturais, etiquetas, usos e costumes, tudo a
				compor regras que definem os sentidos pessoais das ações, assim como as relações
				sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B14">HIRANO, 2002</xref>, p. 31). Nesse ciclo de
				relações, casta corresponde à sagração de cada ação social produtiva como
				resultante, em termos de imputação causal, de uma vocação (predestinação)
				profissional adstrita pela religião (<xref ref-type="bibr" rid="B14">HIRANO,
					2002</xref>, p. 32). Percebe-se, nessa ordem, o caráter preponderante da casta
				como construção religiosa (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MEHRA, 2007</xref>, p.
				85).</p>
			<p>Por conseguinte, a classe de pertencimento das pessoas mais empobrecidas e
				desamparadas passou a ser denominada de <italic>dalits</italic>, sendo reconhecida
				historicamente como a classe dos “intocáveis”, devido à
					<italic>untoucheability</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B30">SOWEL,
					2016</xref>, p. 42), isso porque, com as pessoas assim classificadas, não se
				mantêm contatos físicos, porque são impuras (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH,
					2015</xref>, p. 142), para não se utilizar de termos, como sujas ou imundas.</p>
			<p>Assim, por causa dessas particularidades, historicamente associadas à classe dos
					<italic>dalits</italic>, resultou que eles são mantidos em povoados distantes
				dos centros e, portanto, convenientemente isolados dos grupos de castas mais
				elevadas, de modo a se evitar consequências mais graves (<xref ref-type="bibr"
					rid="B30">SOWEL, 2016</xref>, p. 42-43). Os <italic>dalits</italic>, nesse
				contexto, também são considerados <italic>unseeable</italic>, o que significa dizer
				que “não podem ser vistos”. Além disso, é importante ressaltar que cada casta pode
				possuir centenas de subcastas, o que intensifica e proporciona mais diferenciações
				regionais, ocupacionais, linguísticas e sectárias (<xref ref-type="bibr" rid="B25"
					>PAZICH, 2015</xref>, p. 142).</p>
			<p>Devido a isso, na atualidade, nem o Governo sabe quantas e quais são as castas e
				subcastas, estimando-se que há mais de quatro mil castas e centenas de dialetos,
				além das línguas oficiais, o <italic>hindi</italic> e o inglês, o que vai contra o
				plano anterior definido por Mohandas Gandi, o “Reformador”, que havia fixado apenas
				quatro castas (as tradicionais) e que entre elas não haveria graus de superioridade
				ou inferioridade (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CAMPOS NETO, 2009</xref>, p. 83;
					(<xref ref-type="bibr" rid="B10">DUARTE; GUELFI, 2012</xref>, p. 155). O que se
				destaca, portanto, é que “as quatro castas clássicas da religião
					<italic>hindu</italic> estão fragmentadas em, literalmente, milhares de castas e
				subcastas locais, as quais, na realidade, circunscrevem a vida social das pessoas.”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B30">SOWEL, 2016</xref>, p. 46).</p>
			<p>A palavra <italic>untoucheability</italic>, enfim, é o atributo que se aplica ao mais
				baixo <italic>status</italic> na tradicional hierarquia das castas indianas, cujos
				membros são expostos a situações debilitadoras, a deficiências severas e a privações
				de oportunidades econômicas, sociais, culturais e políticas (<xref ref-type="bibr"
					rid="B16">HOWARD; PRAKASH, 2011</xref>, p. 5). Entretanto, não se pode
				desconsiderar que essa conformação social em torno das castas decorre da perspectiva
				filosófico-religiosa em torno da qual há consenso entre os estudiosos de que os
				chamados textos bramânicos, datados de 1.700 a 1.100 a.C., dispuseram sobre uma
				organização social que se teria como fundacional, de onde as partes do corpo de um
				ser originário - espécie de divindade - teriam dado origem aos grupos ou às castas,
				as quais teriam funções sociais específicas (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
					>HOFBAUER, 2015</xref>, p. 155) (<xref ref-type="bibr" rid="B10">DUARTE; GUELFI,
					2012</xref>, p. 151). Desse modo, nessa primeira conformação da ordem social
				indiana, já se fazia referência à cor das pessoas. Com isso, as de cor clara
				(brancas) seriam entendidas como portadoras da luz e, devido a esse atributo,
				deveriam expulsar a escuridão e a ignorância, metaforicamente correspondendo às
				pessoas não claras (<xref ref-type="bibr" rid="B15">HOFBAUER, 2015</xref>, p.
				156).</p>
			<p>Para além desse recorte filosófico-religioso, considera-se que a sociedade indiana é,
				por longo tempo, sensível à diferença de cores, inclusive da pele, sendo
				tendenciosamente atraída para valorizar a cor mais clara, associando-a a ideais
				estéticos. Essa perspectiva parece ter se fortalecido a partir de novos estímulos
				decorrentes do contato com o mundo ocidental, desde o seu período colonial (<xref
					ref-type="bibr" rid="B15">HOFBAUER, 2015</xref>, p. 158).</p>
			<p>Some-se a isso que, ao lado da realidade que envolve os processos identitários
				próprios do povo, enquanto os partidos políticos na Índia se envolveram com o
				processo de construção da identidade (<xref ref-type="bibr" rid="B19">KUMAR,
					2014</xref>, p. 37), a política estatal foi claramente a que mais teve a ver com
				a dinamização dos conflitos baseados na identidade, uma vez que a orientação
				predominante para a resolução de conflitos foi estatal. Desse modo, não surpreende
				que o Estado tenha se tornado o alvo da mobilização política em favor dos grupos
				desfavorecidos, devido à percepção difundida de que o Estado é o depósito de
				valiosos recursos sociais, materiais e políticos, isto é, a fonte de todos os
				recursos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">HEYER; JAYAL, 2009</xref>, p. 17).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4 DESIGUALDADE E SISTEMA DE COTAS</title>
			<p>O setor da organização indiana que mais se beneficiou com o sistema de reservas
				(cotas) foi o da educação superior, cuja política foi a mais ampla e a de mais longa
				duração no mundo, sendo destinada aos estudantes oriundos das castas mais baixas. Na
				Índia, esse sistema de reservas encontrou amparo em normas constitucionais e buscou
				favorecer os grupos catalogados (<italic>Scheduled Groups: Scheduled Castes</italic>
				(SCs) e <italic>Scheduled Tribes</italic> (STs)), mediante financiamentos prestados
				pelo Governo Federal (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH, 2015</xref>, p.
				142-143), tratando-se de espécie de “sistema mínimo garantido”, isso porque são as
				cotas que devem ser preenchidas em primeiro lugar, enquanto as vagas restantes se
				destinam ao sistema de mérito (<xref ref-type="bibr" rid="B18">KEDIA, 2015</xref>,
				p. 5).</p>
			<p>A adoção e a implantação de cotas na Índia é anterior à sua independência, que
				ocorreu no ano de 1947, havendo registros de que, no ano de 1891, no Estado de
					<italic>K erala</italic>, já se fazia a reserva de vagas na esfera do Governo
				(serviço público), como forma de oposição ao recrutamento de servos civis; no ano de
				1902, registrou-se a implantação da política de cotas no Estado de <italic>K
					olhapur</italic>, na região central do país, procedendo-se à reserva de 50% dos
				cargos da administração pública local em favor das chamadas “classes atrasadas”
					(<italic>Backward Classes</italic>), tratando-se, portanto, de grupos de pessoas
				desfavorecidas (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH, 2015</xref>, p. 143).</p>
			<p>Verificou-se que, em <italic>Kerala,</italic> o sistema de cotas contribuiu,
				particularmente, para a modificação do <italic>status</italic> social feminino, isso
				porque as mulheres passaram a ter elevado seu nível de instrução, fazendo que esse
				Estado apresentasse os mais altos resultados em termos de políticas afirmativas no
				contexto da atual sociedade indiana (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH,
					2015</xref>, p. 148). Quanto aos empregos, pôde-se constatar, posteriormente,
				que as oportunidades surgiram em favor das mulheres em <italic>K erala</italic>
				devido à circunstância de terem adquirido razoável nível de instrução, de modo que
				esse benefício propiciou que elas pudessem exercer ofícios como os de parteira e de
				professora, conferindo-lhes maior ascensão social.</p>
			<p>Como reflexo dessa política desenvolvida em <italic>Kerala</italic>, o grupo
				denominado <italic>N air</italic>, pertencente às famílias das baixas castas, passou
				a servir como modelo de referência, uma vez que os demais grupos se espelhavam nele,
				especialmente, mas não apenas, em razão da ascensão social de suas mulheres (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH, 2015</xref>, p. 149). Aliado a isso, os
					<italic>Nair</italic> passaram a gozar de nível incomum de mobilidade social,
				tanto que se passou a admitir que mantivessem relações com os
					<italic>Brahmins</italic> (casta de nível mais elevado) (<xref ref-type="bibr"
					rid="B25">PAZICH, 2015</xref>, p. 148-149).</p>
			<p>Considera-se, atualmente, que os incentivos que favoreceram a empregabilidade em
					<italic>K erala</italic> foram importantes fatores que possibilitaram, ao menos,
				às mulheres oriundas das baixas castas terem acesso à educação, usufruindo, nesse
				aspecto, da qualidade da educação superior britânica introduzida na Índia no século
				XIX. Embora se reconheça que apenas alguns grupos se beneficiaram desse padrão de
				educação, o maior impacto dessa política foi o de permitir que tanto meninos quanto
				meninas tivessem acesso a ela (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH, 2015</xref>,
				p. 150). Isso, inegavelmente, foi reflexo do sistema de reserva desenvolvido com a
				finalidade de compensar as desigualdades historicamente conformadas pelo sistema de
				castas e profundamente consolidado na sociedade indiana, ressalvou <xref
					ref-type="bibr" rid="B25">Pazich (2015, p. 142-143)</xref>, que, ainda nesse
				contexto, apresentou referência positiva acerca dos dados apurados pelo
					<italic>Office of the R egistrar General &amp; Census Commissioner</italic>, no
				ano de 2011, segundo o qual houve signiticativas melhoras quanto ao nível de
				instrução de homens e mulhes, comparativamente, entre a população indiana e a do
				Estado de <italic>Kerala</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH,
					2015</xref>, p. 147):</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Demonstrativo dos Índices de Instrução</title>
				</caption>
				<table frame="box" rules="all">
					<colgroup>
						<col width="33%"/>
						<col width="33%"/>
						<col width="33%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" colspan="3">Índices de Instrução de Homens e Mulheres
								na Índia e Kerala (2011)</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left">&#x00A0;</td>
							<td align="center">Índia</td>
							<td align="center">Kerala</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">População Total</td>
							<td align="center">72,99%</td>
							<td align="center">94,00%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">População Masculina</td>
							<td align="center">80,89%</td>
							<td align="center">96,11%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">População Feminina</td>
							<td align="center">64,64%</td>
							<td align="center">92,07%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Office of the Registrar General &amp; Census Commissioner. Census
						of India 2011: Final population totals: Dashboard (2011).</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
		</sec>
		<sec>
			<title>5 A PERSISTÊNCIA DA EXCLUSÃO NA ÍNDIA</title>
			<p>Peculiaridades muito específicas fizeram da Índia um ambiente intrigante do ponto de
				vista da investigação social. Há grupos opressores e oprimidos que pertencem à mesma
				casta, o que distingue essa sociedade das demais, descritas de forma simplificada
				como heterogêneas, nas quais prevalece a polarização social, fortemente determinada
				com base na raça, na cor, no gênero, na religião ou na origem (tome-se como exemplo
				a sociedade norte-americana quanto ao aspecto racial). Nessa ordem, para se servir
				de referencial numérico, apenas 9% da população jovem indiana tem acesso ao Ensino
				Superior, enquanto, nos países de economia avançada, esse percentual se situa entre
				50% e 70% (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GUPTA, 2006</xref>, p. 3). Por
				conseguinte, um percentual tão reduzido (9%) pode ser mais sugestivo como
				decorrência do processo de opressão/exclusão, do que propriamente fator de ordem
				econômica ou política (<xref ref-type="bibr" rid="B8">DESHPANDE, 2006</xref>, p. 2).
				Aliado a isso, entende-se que, se, no passado, a Universidade assumiu o papel de
				atender às elites com a proposta de formação das lideranças, hoje dela se exige
				proposta de massificação do Ensino Superior, de modo a promover, por um lado, a
				equidade e a justiça e, por outro lado, manter níveis aceitáveis de eficiência,
				qualidade e responsabilidade pública (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GUPTA,
					2006</xref>, p. 4). Desse modo, talvez seja papel da Universidade, na Índia,
				hoje, o de conciliar os dois sistemas vigentes: o de castas com o de cotas.</p>
			<p>No caso da Índia, as discriminações de dupla forma são baseadas ostensivamente em
				castas e gêneros, constituindo-se em um sistema profundamente arraigado nas relações
				sociais, culturais e políticas, de sorte que o emprego de ações afirmativas deve ser
				compreendido na dimensão dessas variáveis relacionais (<xref ref-type="bibr"
					rid="B11">GUPTA, 2006</xref>, p. 5). Ocorre que o sistema de castas indiano, que
				pode ser traduzido como sistema de rígida hierarquização social, ainda se mantém,
				assim como o estado de pobreza dos “intocáveis” tornou-se mais acentuado (<xref
					ref-type="bibr" rid="B26">PRAKASH, 2009</xref>, p. 2). A rigor, a realidade
				segue demonstrando que os <italic>dalits</italic> continuam sendo alvo de
				discriminação, opressão, violência e exclusão (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>DESHPANDE, 2006</xref>, p. 2), tudo isso, porém, coexistindo com o sistema de
				cotas.</p>
			<p>Percebe-se, ademais, que há fatores existenciais os quais envolvem os
					<italic>dalits</italic>, compreendidos em níveis de prejuízos sociais e, devido
				a isso, por se tratar de grupos marcados por identidade étnica intensamente
				estigmatizada, seus integrantes optaram em larga escala pela mudança de suas
				religiões, convertendo-se uns ao Cristianismo e outros ao Islamismo, o que tem sido
				descrito como estratégia para fugirem da discriminação e da exclusão. Exemplo disso
				é que, hoje, na Índia, ao se referir a alguém como “neo-budista”, está-se referindo
				a um “ex-intocável”, portanto a alguém que se converteu ao Budismo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">DESHPANDE, 2006</xref>, p. 3), sendo essa a realidade a
				qual se traduz na coexistência admitida pela conveniência social e política da
				presença das religiões mais abrangentes em termos globais, como consequência do
				processo de exclusão vivenciado na Índia.</p>
			<p>Embora essa perspectiva sugira que houve ampla liberdade para a conversão religiosa
				em face dos descontentamentos e das preferências individuais, essa não foi a
				realidade, pois, segundo Cassan, havia propostas legislativas apresentadas com o
				propósito de excluir benefícios dos <italic>Scheduled Groups</italic> convertidos ao
				Cristianismo ou ao Islamismo. Entretanto, como os debates em torno desse assunto
				foram se perpetuando sem definição precisa e imediata, a Assembleia Legislativa
				Federal, também conhecida como <italic>Lok Sabha</italic>, foi dissolvida no ano de
				1970, antes mesmo que tais projetos fossem aprovados (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>CASSAN, 2014</xref>, p. 5).</p>
			<p>Ainda tratando de dificuldades existenciais, há legislação na Índia que busca
				enfrentar o que se pode chamar de “vergonha do indianismo”, dispondo sobre a
				extinção dos grupos dos párias, a partir do apoio obtido de grupos reformadores e de
				legisladores. Entretanto, os chamados <italic>hindus</italic> ortodoxos, que são os
				religiosos mais rigorosos, tanto na tradição quanto em seus privilégios, opuseram
				grande resistência a essa legislação, de modo que nada de substancial mudou em
				relação aos “intocáveis” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CAMPOS NETO, 2009</xref>,
				p. 84).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>6 AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA POLÍTICA PÚBLICA DE COTAS</title>
			<p>Partindo de perspectiva estritamente pragmática quanto à avaliação de resultados, não
				se pode afirmar que o sistema de cotas instituído na Índia, fundamentalmente
				orientado para favorecer o acesso de pessoas pertencentes aos grupos mais atrasados
				ao ensino e aos cargos públicos, tenha alcançado êxito minimamente satisfatório, uma
				vez que, embora a realidade social atualmente vivida naquele país seja melhor do que
				a do passado, o fato é que isso não se deve precipuamente à adoção do sistema de
				cotas. Nesse aspecto, para se ter exemplo claro, Loni Pazich apurou que, mesmo
				considerando que tenha sido proveitosa a facilitação de acesso das mulheres e das
				castas catalogadas à educação superior, houve considerável concentração dos membros
				favorecidos com essas cotas nos cursos das áreas de Artes e de Ciências,
				estimando-se que aproximadamente 80% dos estudantes favorecidos estavam
				matriculados, no ano de 2008, nos cursos indicados (<xref ref-type="bibr" rid="B25"
					>PAZICH, 2015</xref>, p. 155). Entretanto, no mesmo período, apenas 10% desses
				mesmos estudantes conseguiram ter acesso aos cursos de Engenharia e Medicina, os
				quais são reconhecidos como os mais prestigiados e valorizados como meio para o
				ingresso no mercado de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH,
				2015</xref>, p. 155). Nessa ordem, segundo Loni Pazich, os estudantes favorecidos
				com as cotas estão sobre-representados nos cursos de Artes e de Ciências, mas estão
				sub-representados nos cursos politécnicos, os quais, na prática, são os que conduzem
				aos empregos de melhor padrão remuneratório (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PAZICH,
					2015</xref>, p. 156).</p>
			<p>Nesse aspecto, conforme com o que foi anteriormente mencionado, políticas públicas de
				ações afirmativas têm sido empregadas na atualidade em muitos países, incluindo o
				Brasil, com o objetivo de promover avanços sociais em favor de grupos considerados
				historicamente desfavorecidos. Em torno desse tema, debates sobre o impacto do
				sistema de preferências têm sido intensificados segundo a perspectiva do desempenho
				educacional e dos possíveis resultados quanto à obtenção de trabalho pelos
				integrantes dos grupos favorecidos (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA,
					2012</xref>, p. 2). Para compreender um pouco mais sobre essa (nova) realidade,
				Verónica Robles e Kala Krishna, pesquisadoras da <italic>Pennsylvania State
					University</italic>, desenvolveram estudos sobre o impacto das políticas de
				ações afirmativas no Ensino Superior voltadas para estudantes pertencentes a grupos
				minoritários na Índia.</p>
			<p>As pesquisadoras justificaram o enfoque dado à Índia especialmente devido à
				circunstância de que, nesse país, os critérios de admissão são claros e dirigidos
				para o que realmente importa, ou seja, para o desempenho dos estudantes nos exames
				de admissão e na avaliação do abandono escolar, <italic>a posteriori</italic>. Além
				disso, elas destacaram que o sistema de cotas indiano é o mais rigoroso e
				vinculativo para o acesso ao Ensino Superior em favor dos grupos catalogados (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 3).</p>
			<p>Nessa avaliação, as pesquisadoras identificaram aspecto negativo no tocante à medida
				da qualidade dos estudantes favorecidos com cotas, que se formaram nas instituições
				de Ensino Superior, uma vez que as faculdades são forçadas a admitirem estudantes
				pelo regime de cotas, o que, em alguns Estados, chega a alcançar até 50% das vagas
				existentes (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 6).
				Verónica e Kala identificaram que os estudantes dos grupos minoritários favorecidos
				com as cotas apresentaram credenciais acadêmicas significativamente mais fracas do
				que aqueles outros estudantes não minoritários (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>CASSAN, 2014</xref>, p. 15). Desse modo, os estudantes dos grupos minoritários
				que frequentaram instituições de Ensino Superior, em decorrência de programas de
				ações afirmativas, que são mais rigorosas em seus processos seletivos, apresentaram
				notas mais baixas do que as que teriam obtido em processos menos seletivos. Nessa
				ordem, seus resultados para ingresso no mercado de trabalho podem ser prejudicados
				devido às preferências de admissões (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES;
					KRISHNA, 2012</xref>, p. 6-7).</p>
			<p>Uma referência ilustrativa dessa realidade foi obtida com estudo detalhado de dados,
				no ano de 2008, sobre diversos cursos de graduação mantidos pelo <italic>India n
					Institute of Technology</italic> (IIT) em Dehli. De acordo com Verónica e Kala,
				os dados avaliativos das médias de aproveitamento de estudantes pertencentes às
				minorias favorecidas (SCs e STs) com as cotas e as médias gerais, que compreendem
				todos os estudantes (favorecidos e não favorecidos), revelaram a defasagem dos
				primeiros (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 4):</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Demonstrativo de Médias por Cursos</title>
				</caption>
				<table frame="box" rules="all">
					<colgroup>
						<col width="33%"/>
						<col width="33%"/>
						<col width="33%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" colspan="3">Médias Aferidas no Primeiro Ano dos
								Cursos - ITT</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center">Bacharelado em:</th>
							<th align="center">Média Geral:</th>
							<th align="center">Média dos Estudantes Favorecidos (SCs e STs):</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left">Ciências da Compuação</td>
							<td align="center">8,56</td>
							<td align="center">6,65</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Eng. Elétrica de Potência</td>
							<td align="center">8,03</td>
							<td align="center">6,37</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Eng. Mecância de Produção</td>
							<td align="center">7,72</td>
							<td align="center">5,59</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Engenharia Elétrica</td>
							<td align="center">7,74</td>
							<td align="center">5,99</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Engenharia Mecânica</td>
							<td align="center">7,57</td>
							<td align="center">5,50</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Engenharia Física</td>
							<td align="center">6,90</td>
							<td align="center">6,44</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Engenharia Química</td>
							<td align="center">7,19</td>
							<td align="center">5,31</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecnologia Têxtil</td>
							<td align="center">7,01</td>
							<td align="center">5,19</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p.
						40).</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Ao lado disso, embora os estudantes minoritários façam o <italic>Joint Entrance
					Examination</italic> (Exame de Admissão) como os demais estudantes, e a lei
				indiana lhes dê direito às preferências, tem-se que a sociedade
					<italic>hindu</italic> segue tradicionalmente o regime de castas, o qual é
				determinante quanto às especificações das ocupações. Por conseguinte, os indivíduos
				oriundos das castas inferiores findam por serem direcionados para o exercício de
				atividades menos atraentes no mercado de trabalho tanto em termos de prestígio
				quanto em termos de salários (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA,
					2012</xref>, p. 8). Então, no contexto desse processo de avaliação do sistema de
				cotas, caberia indagar por que o Governo indiano associou o sistema de cotas às
				castas e não a outro fator social ou econômico?</p>
			<p>Para entender essa opção e o dinamismo a ela associado, é preciso considerar dois
				fatores: primeiro, com o emprego de ações afirmativas, os governos acreditavam que
				poderiam direcionar os grupos minoritários os quais buscavam objetivos relacionados
				com a diversidade, harmonia e o progresso social (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
					>GUPTA, 2006</xref>, p. 3) e, segundo, o emprego da raça ou da casta poderia ser
				substituído pela renda das pessoas, como fator para direcionar as políticas sociais
					(<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 11).
				Entretanto, como os grupos minoritários na Índia foram colocados para exercerem
				atividades laborais menos prestigiadas e com baixos salários, o Governo optou por
				adotar políticas públicas baseadas em castas como fator substitutivo da renda,
				justificando que a primeira seria mais eficiente para identificar os grupos
				verdadeiramente desfavorecidos, pois se admitia que o <italic>s t atus</italic> da
				casta seria mais difícil de falsear do que o da renda. Em verdade, na Índia, é
				especialmente difícil identificar a renda das pessoas, uma vez que 92% da força de
				trabalho ativa naquele país é composta de trabalhadores informais (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 11-12).</p>
			<p>Diante desse quadro circunstancial, Verónica e Kala identificaram evidências de que
				os grupos minoritários de estudantes não estão se recuperando em termos de
				desempenho acadêmico e concluíram que os estudantes oriundos das SCs e das STs,
				quando inseridos nos ambientes escolares mais seletivos, tendem a se atrasar em seus
					<italic>rankings</italic> (notas), o que parece confirmar a “hipótese de
				incompatibilidade”, segundo a qual se preveem taxas de sucesso inferiores para os
				estudantes dos grupos minoritários que ingressaram em instituições de ensino mais
				seletivas (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA, 2012</xref>, p. 21). O
				estudo sugere, portanto, que os estudantes dos grupos minoritários, quando inseridos
				em espaços educacionais mais seletivos, não conseguem acompanhar os demais,
				confirmando-se a “hipótese de incompatibilidade”. Além disso, essa realidade produz
				consequências para a obtenção de emprego, devido ao critério da seletividade, uma
				vez que os grupos minoritários ocupam postos de trabalho inferiores, comparando-os
				com os demais estudantes em geral (<xref ref-type="bibr" rid="B28">ROBLES; KRISHNA,
					2012</xref>, p. 34).</p>
			<p>Ademais, fica absolutamente claro que mais de meio século de discriminação positiva
				falhou substancialmente para enfrentar as desvantagens que marcam a condição
				existencial da maioria das SCs e das STs. Além disso, a persistência do
				subdesenvolvimento humano dos mais pobres endossa o fato de que a criação de
				oportunidades não levou à melhoria material das pessoas. Aqueles que estão no fundo
				da ordem ritual das castas ou às margens da sociedade continuam a carregar múltiplos
				encargos de negação e de privação. Esse fracasso pode bem ser atribuído às
				hierarquias sociais entrincheiradas que subscrevem o domínio das castas e das
				classes superiores na sociedade indiana (<xref ref-type="bibr" rid="B13">HEYER;
					JAYAL, 2009</xref>, p. 18), o que confirma a conclusão de Sowell, no sentido de
				que “a maioria dos realmente pobres é pouco afetada pelas preferências e cotas
				instituídas em seu nome.” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">SOWEL, 2016</xref>, p.
				70).</p>
			<p>Nessa ordem, deve-se ponderar se há satisfação em simplesmente fazer alguma coisa sem
				considerar as consequências reais, quando verdadeiramente não se pode fugir à
				conclusão de que a “ação afirmativa na Índia produziu benefícios mínimos para os
				mais necessitados, além de ressentimentos e hostilidades máximos contra eles por
				parte de outros.” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">SOWEL, 2016</xref>, p. 72).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>7 CONCLUSÃO</title>
			<p>Inegavelmente, a avaliação sobre a impactação das políticas públicas instituídas no
				âmbito internacional, tendo como foco os diversos sistemas de cotas, pode ser medida
				que facilitará, por exemplo, a compreensão, de forma sistematizada, de como as
				nações têm se ocupado diante das consequências resultantes da implantação desses
				mecanismos de ações afirmativas. Nessa ordem, o dinamismo social e político
				vivenciado na Índia conduziu à constatação de resultados particularmente
				importantes, o que confirma, por exemplo, a perspectiva de que as diferenças das
				organizações sociais, políticas, econômicas, jurídicas e religiosas podem exercer
				influências qualitativas quanto ao emprego de cotas, instituídas e dirigidas com a
				pretensão de alcançar padrão de nivelamento das sociedades.</p>
			<p>Partindo desse entendimento, tendo em vista as informações apuradas neste estudo,
				pode-se concluir que, na Índia, o modelo que conjuga a ordem política com a ordem
				religiosa talvez seja a marca definidora de seu <italic>status</italic>
				sóciopolítico, em que o racionalismo jurídico teve de se ajustar aos padrões e aos
				valores informados pela ordem religiosa de uma sociedade multifragmentada em torno
				de múltiplas crenças e centenas de padrões linguísticos, em que, para muitos, a
				repulsa a grupos sociais considerados inferiores e a própria aceitação por esses
				grupos da repulsa que é imposta a eles. A partir dessa premissa, decorre em boa
				medida a exclusão de milhões de pessoas, algo que é aceito não em razão de um regime
				de autoridade ou de força estatal, mas sim, antes e principalmente, em razão de sua
				aceitação moral, que se sustenta na crença de que nisso reside a própria elevação
				espiritual.</p>
			<p>Nesse contexto, o sistema de cotas instituído em favor dos grupos catalogados como
				pessoas desafortunadas e desassistidas tem se revelado de eficácia ínfima, ainda
				mais considerando que há enorme efetivo humano que é mantido excluído socialmente e
				não acobertado pelo sistema de cotas, a despeito de haver previsão constitucional e
				legal sobre isso. Ademais, em meio a todo esse quebra-cabeças que se estabeleceu em
				razão da conjugação dos sistemas de castas e de cotas, foi possível alcançar a
				elevação do nível social de poucos grupos das baixas castas apenas pontualmente,
				como consequência direta da elevação do nível de educação escolar das mulheres
				integrantes desses grupos, de modo que rigorosamente a impactação decorrente do
				emprego de cotas na Índia não é algo verdadeiramente expressivo e eficaz diante da
				força religiosa, vigorosamente imposta pelo regime de castas, o que concorre para a
				manutenção do precário padrão de desenvolvimento humano.</p>
			<p>Por derradeiro, verifica-se que os programas de ações afirmativas contribuíram de
				forma minimamente significativa para a redução do preconceito e da estigmatização
				dos grupos desfavorecidos, de modo que não é exagero concluir que o preconceito e o
				separatismo entre grupos são realidades que ainda se mantêm em ritmo contínuo na
				sociedade indiana.</p>
			<p>Em resumo, parece claro que os atuais regimes da ordem social e política na Índia
				seguem factual e ideologicamente estruturados em dois sistemas paradoxalmente
				contraditórios, mas convenientemente associados: enquanto, por um lado, o sistema de
				castas continua sendo o principal fator identitário e da fragmentação da sociedade
				indiana, além de propulsor das desigualdades verificadas em toda a extensão dessa
				mesma sociedade, o sistema de cotas, por outro lado, tem a função estratégica de
				atuar como redutor das desigualdades, ainda que não seja mecanismo eficiente e de
				larga abrangência, de modo que, enquanto um sistema exclui e fragmenta (castas),
				sistemática e continuamente, o outro inclui de forma limitada e politicamente
				articulada (cotas), em pequenas proporções.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BERTRAND, Marianne; HANNA, Rema; MULLAINATHAN, Sendhil. Affirmative
					action in education: evidence from engineering college admissions in India.
						<bold>Journal of Public Economics</bold>, v. 94, n. 1/2, p. 16-29, Feb.
					2010. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.nber. org/papers/w13926">http://www.nber.
						org/papers/w13926</ext-link>&gt;. Acesso em: 28 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BERTRAND</surname>
							<given-names>Marianne</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>HANNA</surname>
							<given-names>Rema</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MULLAINATHAN</surname>
							<given-names>Sendhil</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Affirmative action in education: evidence from engineering
						college admissions in India</article-title>
					<source>Journal of Public Economics</source>
					<volume>94</volume>
					<issue>1/2</issue>
					<fpage>16</fpage>
					<lpage>29</lpage>
					<month>02</month>
					<year>2010</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.nber. org/papers/w13926">http://www.nber.
							org/papers/w13926</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">28 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BOROOAH, Vani K. Caste, inequality, and poverty in India.
						<bold>Review of Development Economics</bold>, Iowa State University, v. 9,
					Issue 3, p. 399-414, Aug. 2005. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-9361.2005.00284.x/full"
						>http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-9361.2005.00284.x/full</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 24 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOROOAH</surname>
							<given-names>Vani K</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Caste, inequality, and poverty in India</article-title>
					<source>Review of Development Economics</source>
					<publisher-name>Iowa State University</publisher-name>
					<volume>9</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>399</fpage>
					<lpage>414</lpage>
					<month>08</month>
					<year>2005</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-9361.2005.00284.x/full"
							>http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-9361.2005.00284.x/full</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>CAMPOS NETO, Antonio Augusto Machado de. O hinduísmo, o direito
					hindu, o direito indiano. <bold>Revista de Direito</bold>, Universidade de São
					Paulo, v. 104, p. 71-111, jan./dez. 2009. Disponível em:&lt;<ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/67850/70458"
						>https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/67850/70458</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 5 set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CAMPOS</surname>
							<given-names>NETO</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Machado de</surname>
							<given-names>Antonio Augusto</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O hinduísmo, o direito hindu, o direito indiano</article-title>
					<source>Revista de Direito</source>
					<publisher-loc>Universidade de São Paulo</publisher-loc>
					<volume>104</volume>
					<fpage>71</fpage>
					<lpage>111</lpage>
					<season>jan-dez</season>
					<year>2009</year>
					<comment>Disponível em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/67850/70458"
							>https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/67850/70458</ext-link>&gt;</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>CASSAN, Guilhem. <bold>The impact of positive discrimination in
						education in India</bold>: evidence from a natural experiment. 2014. p.
					1-52. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.407.1448&amp;rep=rep1&amp;type=pdf"
						>http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.407.1448&amp;rep=rep1&amp;type=pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CASSAN</surname>
							<given-names>Guilhem</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>The impact of positive discrimination in education in
						India</bold>: evidence from a natural experiment</source>
					<year>2014</year>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>52</lpage>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.407.1448&amp;rep=rep1&amp;type=pdf"
							>http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.407.1448&amp;rep=rep1&amp;type=pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>CENTRE FOR BUDGET AND GOVERNANCE ACCOUNTABILITY. <bold>Manual on
						inequality in India</bold>: major dimensions and policy concerns. New Delhi,
					2015. p. 1-24. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.cbgaindia.org/wp-content/uploads/2016/03/Manual-on-Inequality-in-India.pdf"
						>http://www.cbgaindia.org/wp-content/uploads/2016/03/Manual-on-Inequality-in-India.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>CENTRE FOR BUDGET AND GOVERNANCE ACCOUNTABILITY</collab>
					</person-group>
					<source><bold>Manual on inequality in India</bold>: major dimensions and policy
						concerns</source>
					<publisher-loc>New Delhi</publisher-loc>
					<year>2015</year>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>24</lpage>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.cbgaindia.org/wp-content/uploads/2016/03/Manual-on-Inequality-in-India.pdf"
							>http://www.cbgaindia.org/wp-content/uploads/2016/03/Manual-on-Inequality-in-India.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>CHANDOLA, M. Varn. Affirmative action in India and the United
					States: the untouchable and Black experience. <bold>Indiana International &amp;
						Comparative Law Review</bold>, Indianapolis, v. 3, n. 1, p. 101-133, jan.
					1992. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://journals.iupui.edu/index.php/iiclr/article/view/17475"
						>https://journals.iupui.edu/index.php/iiclr/article/view/17475</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CHANDOLA</surname>
							<given-names>M. Varn</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Affirmative action in India and the United States: the
						untouchable and Black experience</article-title>
					<source>Indiana International &amp; Comparative Law Review</source>
					<publisher-loc>Indianapolis</publisher-loc>
					<volume>3</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>101</fpage>
					<lpage>133</lpage>
					<month>01</month>
					<year>1992</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://journals.iupui.edu/index.php/iiclr/article/view/17475"
							>https://journals.iupui.edu/index.php/iiclr/article/view/17475</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>COUTINHO, Diogo R. O direito nas políticas públicas. In: MARQUES,
					Eduardo; FARIA, Carlos Aurélio Pimenta de (Orgs.). <bold>A política pública como
						campo multidisciplinar</bold>. São Paulo: Editora Unesp; Rio de Janeiro:
					Editora Fiocruz, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COUTINHO</surname>
							<given-names>Diogo R</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>O direito nas políticas públicas</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>MARQUES</surname>
							<given-names>Eduardo</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FARIA</surname>
							<given-names>Carlos Aurélio Pimenta de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A política pública como campo multidisciplinar</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Unesp</publisher-name>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Fiocruz</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>DESHPANDE, Ashwini. <bold>Affirmative action in India and the United
						States</bold>. World Development Report Background Papers, World Bank Group.
					Washington DC, p. 1-23, 2006. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/9038"
						>https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/9038</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 4 set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DESHPANDE</surname>
							<given-names>Ashwini</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Affirmative action in India and the United States</source>
					<publisher-name>World Development Report Background Papers, World Bank
						Group</publisher-name>
					<publisher-loc>Washington DC</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>23</lpage>
					<year>2006</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/9038"
							>https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/9038</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">4 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>DESHPANDE, Manali S. History of the Indian caste system and its
					impact on India today. <bold>California Polytechnic State University</bold>, San
					Luis Obispo, p. 1-35, fall 2010. Disponível em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://digitalcommons.calpoly.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1043&amp;c ontext=socssp"
						>http://digitalcommons.calpoly.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1043&amp;c
						ontext=socssp</ext-link>&gt;. Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DESHPANDE</surname>
							<given-names>Manali S</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>History of the Indian caste system and its impact on India
						today</article-title>
					<source>California Polytechnic State University</source>
					<publisher-loc>San Luis Obispo</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>35</lpage>
					<year>2010</year>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://digitalcommons.calpoly.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1043&amp;c ontext=socssp"
							>http://digitalcommons.calpoly.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1043&amp;c
							ontext=socssp</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>DUARTE, Evandro C. Piza; GUELFI, Wanirley Pedroso. Cotas raciais,
					política identitária e reivindicação de direitos. In: DUARTE, Evandro C. P.;
					BERTÚLIO, Dora L. L.; SILVA, Paulo V. B. (Coord.). <bold>Cotas Raciais no Ensino
						Superior</bold>: entre o jurídico e o político. Curitiba: Juruá, 2012. p.
					121-158.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DUARTE</surname>
							<given-names>Evandro C. Piza</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GUELFI</surname>
							<given-names>Wanirley Pedroso</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Cotas raciais, política identitária e reivindicação de
						direitos</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DUARTE</surname>
							<given-names>Evandro C. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BERTÚLIO</surname>
							<given-names>Dora L. L.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Paulo V. B.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Cotas Raciais no Ensino Superior</bold>: entre o jurídico e o
						político</source>
					<publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
					<publisher-name>Juruá</publisher-name>
					<year>2012</year>
					<fpage>121</fpage>
					<lpage>158</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>GUPTA, Asha. Affirmative action in higher education in India and The
					US: a study in contrasts. <bold>Center for Studies in Higher Education</bold>,
					Berkeley, p. 1-19, jun. 2006. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://escholarship.org/uc/item/5nz5695t"
						>http://escholarship.org/uc/item/5nz5695t</ext-link>&gt;. Acesso em: 1 set.
					2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GUPTA</surname>
							<given-names>Asha</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Affirmative action in higher education in India and The US: a
						study in contrasts</article-title>
					<source>Center for Studies in Higher Education</source>
					<publisher-loc>Berkeley</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>19</lpage>
					<month>06</month>
					<year>2006</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://escholarship.org/uc/item/5nz5695t"
							>http://escholarship.org/uc/item/5nz5695t</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">1 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>HARRISS-WHITE, Barbara; PRAKASH, Aseem. Social discrimination in
					India: a case for economic citizenship. <bold>Working Papers Series</bold>,
					India, p. 1-37, Sept. 2010. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.oxfamindia.org/sites/default/files/VIII.%20Social%20Discrimination%20in%20India-20A%20Case%20for%20Economic%20Citizenship. pdf"
						>https://www.oxfamindia.org/sites/default/files/VIII.%20Social%
						20Discrimination%20in%20India-20A%20Case%20for%20Economic%20Citizenship.
						pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HARRISS-WHITE</surname>
							<given-names>Barbara</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PRAKASH</surname>
							<given-names>Aseem</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Social discrimination in India: a case for economic
						citizenship</article-title>
					<source>Working Papers Series</source>
					<publisher-loc>India</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>37</lpage>
					<month>09</month>
					<year>2010</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.oxfamindia.org/sites/default/files/VIII.%20Social%20Discrimination%20in%20India-20A%20Case%20for%20Economic%20Citizenship. pdf"
							>https://www.oxfamindia.org/sites/default/files/VIII.%20Social%
							20Discrimination%20in%20India-20A%20Case%20for%20Economic%20Citizenship.
							pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>HEYER, Judith; JAYAL, Niraja Gopal. The challenge of positive
					discrimination in India. <bold>Center of Research on Inequality, Human Security
						and Ethnicity</bold>, University of Oxford. Mansfield, p. 1-33, Feb. 2009.
					Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www3.qeh.ox.ac.uk/pdf/crisewps/workingpaper55.pdf"
						>http://www3.qeh.ox.ac.uk/pdf/crisewps/ workingpaper55.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 24 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HEYER</surname>
							<given-names>Judith</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>JAYAL</surname>
							<given-names>Niraja Gopal</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The challenge of positive discrimination in India</article-title>
					<source>Center of Research on Inequality, Human Security and Ethnicity</source>
					<publisher-name>University of Oxford</publisher-name>
					<publisher-loc>Mansfield</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>33</lpage>
					<month>02</month>
					<year>2009</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www3.qeh.ox.ac.uk/pdf/crisewps/workingpaper55.pdf"
							>http://www3.qeh.ox.ac.uk/pdf/crisewps/
						workingpaper55.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>HIRANO, Sedi. <bold>Castas, estamentos e classes sociais</bold>:
					introdução ao pensamento sociológico de Marx e Weber. 3. ed. Campinas: Editora
					da Unicamp, 2002.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HIRANO</surname>
							<given-names>Sedi</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Castas, estamentos e classes sociais</bold>: introdução ao
						pensamento sociológico de Marx e Weber</source>
					<edition>3. ed</edition>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora da Unicamp</publisher-name>
					<year>2002</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>HOFBAUER, Andreas. Racismo na Índia? Cor, raça e casta em contexto.
						<bold>Revista Brasileira de Ciência Política</bold>, Brasília, n. 6, p.
					153-191, jan./abr. 2015. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-33522015000200153&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=es"
						>http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-33522015000200153&amp;script=sci_
						abstract&amp;tlng=es</ext-link>&gt;. Acesso em: 31 ago.
					2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HOFBAUER</surname>
							<given-names>Andreas</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Racismo na Índia? Cor, raça e casta em contexto</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Ciência Política</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<issue>6</issue>
					<fpage>153</fpage>
					<lpage>191</lpage>
					<season>jan-abr</season>
					<year>2015</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-33522015000200153&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=es"
							>http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-33522015000200153&amp;script=sci_
							abstract&amp;tlng=es</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">31 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>HOWARD, Larry L.; PRAKASH, Nishith. Do employment quotas explain the
					occupational choices of disadvantaged minorities in India? <bold>Institute for
						the Study of Labor</bold>, Germany, p. 1-35, jul. 2011. Disponível em:
						&lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://ftp.iza.org/dp5894.pdf"
						>http://ftp.iza.org/dp5894.pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: 29 ago.
					2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HOWARD</surname>
							<given-names>Larry L.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PRAKASH</surname>
							<given-names>Nishith</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Do employment quotas explain the occupational choices of
						disadvantaged minorities in India?</article-title>
					<source>Institute for the Study of Labor</source>
					<publisher-loc>Germany</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>35</lpage>
					<month>07</month>
					<year>2011</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://ftp.iza.org/dp5894.pdf"
							>http://ftp.iza.org/dp5894.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">29 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>JANGIR, Sunil Kumar. Reservation policy and Indian Constitution in
					India. American International Journal of Research in Humanities, Arts and Social
					Sciences, Georgia, p. 13-225, 2013. Disponível em: &lt;<ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://iasir.net/AIJRHASSpapers/AIJRHASS13-225.pdf"
						>http://iasir.net/AIJRHASSpapers/AIJRHASS13-225.pdf</ext-link>&gt;. Acesso
					em: 26 set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JANGIR</surname>
							<given-names>Sunil Kumar</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Reservation policy and Indian Constitution in
						India</article-title>
					<source>American International Journal of Research in Humanities</source>
					<publisher-name>Arts and Social Sciences</publisher-name>
					<publisher-loc>Georgia</publisher-loc>
					<fpage>13</fpage>
					<lpage>225</lpage>
					<year>2013</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://iasir.net/AIJRHASSpapers/AIJRHASS13-225.pdf"
							>http://iasir.net/AIJRHASSpapers/AIJRHASS13-225.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">26 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>KEDIA, Bineet. Affirmative actions in India and US: challenge to
					reservation policy in India. <bold>International Journal of Law and Legal
						Jurisprudence Studies</bold>, India, v. 2, Issue 1, p. 1-20, jan. 2015.
					Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://ijlljs.in/wp-content/uploads/2015/01/AFFIRMATIVE-ACTIONS-IN-INDIA-AND-US.pdf"
						>http://ijlljs.in/wp-content/uploads/2015/01/AFFIRMATIVE-ACTIONS-IN-INDIA-AND-US.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 28 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>KEDIA</surname>
							<given-names>Bineet</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Affirmative actions in India and US: challenge to reservation
						policy in India</article-title>
					<source>International Journal of Law and Legal Jurisprudence Studies</source>
					<publisher-loc>India</publisher-loc>
					<volume>2</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>20</lpage>
					<month>01</month>
					<year>2015</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://ijlljs.in/wp-content/uploads/2015/01/AFFIRMATIVE-ACTIONS-IN-INDIA-AND-US.pdf"
							>http://ijlljs.in/wp-content/uploads/2015/01/AFFIRMATIVE-ACTIONS-IN-INDIA-AND-US.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">28 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>KUMAR, Vivek. Inequality in India: caste and Hindu social order.
						<bold>Transcience Journal of Global Studies</bold>, Jawaharlal Nehru
					University, New Delhi, India, v. 5, Issue 1, p. 36-52, 2014. Disponível em:
						&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www2.hu-berlin.de/transcience/Vol5_No1_2014_36_52. pdf"
						>https://www2.hu-berlin.de/transcience/Vol5_No1_2014_36_52.
					pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>KUMAR</surname>
							<given-names>Vivek</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Inequality in India: caste and Hindu social order</article-title>
					<source>Transcience Journal of Global Studies</source>
					<publisher-name>Jawaharlal Nehru University</publisher-name>
					<publisher-loc>New Delhi, India</publisher-loc>
					<volume>5</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>36</fpage>
					<lpage>52</lpage>
					<year>2014</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www2.hu-berlin.de/transcience/Vol5_No1_2014_36_52. pdf"
							>https://www2.hu-berlin.de/transcience/Vol5_No1_2014_36_52.
							pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>MALTEZ, José Adelino. <bold>Tópicos Jurídicos e Políticos</bold>.
					2009. Disponível em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://maltez.info/aaanetnovabiografia/Conceitos/Casta.htm"
						>http://maltez.info/aaanetnovabiografia/Conceitos/Casta.htm</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MALTEZ</surname>
							<given-names>José Adelino</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Tópicos Jurídicos e Políticos</source>
					<year>2009</year>
					<comment>Disponível em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://maltez.info/aaanetnovabiografia/Conceitos/Casta.htm"
							>http://maltez.info/aaanetnovabiografia/Conceitos/Casta.htm</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>MASCARENHAS, António Constâncio d’Expetação Brás. <bold>As castas da
						Índia: esboço de estudo antropo-social</bold>. Portugal: Imprensa Nacional,
					1924. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/17593/3/208_4_FMP_TD_I_01_P.pdf"
						>https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/17593/3/208_4_FMP_TD_I_01_P.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 6 out. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MASCARENHAS</surname>
							<given-names>António Constâncio</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>d’Expetação Brás</article-title>
					<source>As castas da Índia: esboço de estudo antropo-social</source>
					<publisher-loc>Portugal</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
					<year>1924</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/17593/3/208_4_FMP_TD_I_01_P.pdf"
							>https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/17593/3/208_4_FMP_TD_I_01_P.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">6 out. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>MEHRA, Ajay K. O sistema político partidário da Índia. Partidos
					Políticos: Quatro Continentes. <bold>Cadernos Adenauer VIII</bold>, Rio de
					Janeiro, n. 3, p. 75-100, 2007. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.kas.de/wf/doc/9470-1442-5-30.pdf"
						>http://www.kas.de/wf/doc/9470-1442-5-30.pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: 8
					set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MEHRA</surname>
							<given-names>Ajay K</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O sistema político partidário da Índia. Partidos Políticos:
						Quatro Continentes</article-title>
					<source>Cadernos Adenauer VIII</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<issue>3</issue>
					<fpage>75</fpage>
					<lpage>100</lpage>
					<year>2007</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.kas.de/wf/doc/9470-1442-5-30.pdf"
							>http://www.kas.de/wf/doc/9470-1442-5-30.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">8 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>NARULA, Smita. Equal by law, unequal by caste: the “untouchable”
					condition in critical race perspective. <bold>Wisconsin International Law
						Journal</bold>, Madison, v. 26, n. 2, p. 255-343, Sept. 2008. Disponível
						em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1273803"
						>https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1273803</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NARULA</surname>
							<given-names>Smita</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Equal by law, unequal by caste: the “untouchable” condition in
						critical race perspective</article-title>
					<source>Wisconsin International Law Journal</source>
					<publisher-loc>Madison</publisher-loc>
					<volume>26</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>255</fpage>
					<lpage>343</lpage>
					<month>09</month>
					<year>2008</year>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1273803"
							>https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1273803</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>OFFICE OF THE REGISTRAR GENERAL &amp; CENSUS COMMISSIONER.
						<bold>Census of India 2011</bold>: Final population totals: Dashboard.
					CensusInfo India 2011. Disponível em:&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.censusindia.gov.in/2011census/censusinfodashboard/index.html"
						>http://www.censusindia.gov.in/2011census/censusinfodashboard/index.html</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 25 set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>OFFICE OF THE REGISTRAR GENERAL &amp; CENSUS COMMISSIONER</collab>
					</person-group>
					<source><bold>Census of India 2011</bold>: Final population totals:
						Dashboard</source>
					<publisher-loc>CensusInfo India</publisher-loc>
					<year>2011</year>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.censusindia.gov.in/2011census/censusinfodashboard/index.html"
							>http://www.censusindia.gov.in/2011census/censusinfodashboard/index.html</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">25 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>PAZICH, Loni Bordoloi Bordoloi. Ação afirmativa na educação
					superior: o caso de <italic>Kerala</italic> na Índia. Tradução Karin Quast.
						<bold>Educação &amp; Sociedade</bold>, Campinas, v. 36, n. 130, p. 139-159,
					jan./mar. 2015. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87339466009"
						>http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87339466009</ext-link>&gt;. Acesso
					em: 31 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PAZICH</surname>
							<given-names>Loni Bordoloi Bordoloi</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Ação afirmativa na educação superior: o caso de Kerala na
						Índia</article-title>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Quast</surname>
							<given-names>Karin</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Educação &amp; Sociedade</source>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<volume>36</volume>
					<issue>130</issue>
					<fpage>139</fpage>
					<lpage>159</lpage>
					<season>jan-mar</season>
					<year>2015</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87339466009"
							>http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87339466009</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">31 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>PRAKASH, Nishith. <bold>The impact of employment quotas on the
						economic lives of disadvantaged minorities in India</bold>. 2009. p. 1-56.
					Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.dartmouth.edu/~prakash/Prakash_Job_Market_2010.pdf"
						>http://www.dartmouth.edu/~prakash/Prakash_Job_Market_2010.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 24 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PRAKASH</surname>
							<given-names>Nishith</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The impact of employment quotas on the economic lives of disadvantaged
						minorities in India</source>
					<year>2009</year>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>56</lpage>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.dartmouth.edu/~prakash/Prakash_Job_Market_2010.pdf"
							>http://www.dartmouth.edu/~prakash/Prakash_Job_Market_2010.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>RAI, Shirin M. Democratic institutions, political representation and
					women’s empowerment: the quota debate in India. <bold>Journal
						Democratization</bold>, Abingdon, UK, v. 6, n. 3, p. 84-89, Sept. 1999.
					Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510349908403622"
						>http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510349908403622</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 24 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RAI</surname>
							<given-names>Shirin M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Democratic institutions, political representation and women’s
						empowerment: the quota debate in India</article-title>
					<source>Journal Democratization</source>
					<publisher-loc>Abingdon, UK</publisher-loc>
					<volume>6</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>84</fpage>
					<lpage>89</lpage>
					<month>09</month>
					<year>1999</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510349908403622"
							>http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510349908403622</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>ROBLES, Verónica Frisancho; KRISHNA, Kala. Affirmative action in
					higher education in India: targeting, catch up, and mismatch at IIT-Delhi.
					National Bureau of Economic Research, Cambridge, n. 17727, p. 1-44, jan. 2012.
					Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.isid.ac.in/~pu/conference/dec_11_conf/Papers/VeronicaFrisanchoRobles.pdf"
						>http://www.isid.ac.in/~pu/conference/dec_11_conf/Papers/VeronicaFrisanchoRobles.pdf</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 25 set. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ROBLES</surname>
							<given-names>Verónica Frisancho</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>KRISHNA</surname>
							<given-names>Kala</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Affirmative action in higher education in India: targeting, catch
						up, and mismatch at IIT-Delhi</article-title>
					<source>National Bureau of Economic Research</source>
					<publisher-loc>Cambridge</publisher-loc>
					<issue>17727</issue>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>44</lpage>
					<month>01</month>
					<year>2012</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.isid.ac.in/~pu/conference/dec_11_conf/Papers/VeronicaFrisanchoRobles.pdf"
							>http://www.isid.ac.in/~pu/conference/dec_11_conf/Papers/VeronicaFrisanchoRobles.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">25 set. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<mixed-citation>SAREEN, Dhruva; SHAH, Purav. <bold>Comparative analyses of
						affirmative action in India and USA</bold>: affirming the affirmative,
					National Law University Jodhpur. India, p. 1-33, Oct. 2013. Disponível em:
						&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2336621"
						>https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2336621</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 24 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SAREEN</surname>
							<given-names>Dhruva</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SHAH</surname>
							<given-names>Purav</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Comparative analyses of affirmative action in India and
						USA</bold>: affirming the affirmative, National Law University
						Jodhpur</source>
					<publisher-loc>India</publisher-loc>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>33</lpage>
					<month>10</month>
					<year>2013</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2336621"
							>https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2336621</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<mixed-citation>SOWELL, Thomas. <bold>Ação afirmativa ao redor do mundo</bold>: um
					estudo empírico sobre as cotas e grupos preferenciais. Tradução Joubert de
					Oliveira Brízida. São Paulo: É Realizações, 2016.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SOWELL</surname>
							<given-names>Thomas</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Ação afirmativa ao redor do mundo</bold>: um estudo empírico sobre
						as cotas e grupos preferenciais</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Brízida</surname>
							<given-names>Joubert de Oliveira</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>É Realizações</publisher-name>
					<year>2016</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>VITHAYATHIL, Trina; SINGH, Gayatri. Spaces of discrimination:
					residential segregation in Indian cities. <bold>Economic &amp; Political
						Weekly</bold>, Mumbai, India, v. 47, n. 37, p. 60-66, Sept. 2012. Disponível
					em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.epw.in/system/files/pdf/2012_47/37/Spaces%20of%20.Discrimination.pdf"
						>http://www.epw.in/system/files/pdf/2012_47/37/Spaces%20of%20.
						Discrimination.pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: 22 ago. 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VITHAYATHIL</surname>
							<given-names>Trina</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SINGH</surname>
							<given-names>Gayatri</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Spaces of discrimination: residential segregation in Indian
						cities</article-title>
					<source>Economic &amp; Political Weekly</source>
					<publisher-loc>Mumbai, India</publisher-loc>
					<volume>47</volume>
					<issue>37</issue>
					<fpage>60</fpage>
					<lpage>66</lpage>
					<month>09</month>
					<year>2012</year>
					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.epw.in/system/files/pdf/2012_47/37/Spaces%20of%20.Discrimination.pdf"
							>http://www.epw.in/system/files/pdf/2012_47/37/Spaces%20of%20.
							Discrimination.pdf</ext-link>&gt;</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22 ago. 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>WADE, Nicholas. <bold>A troublesome inheritance</bold>: genes, race
					and human history. New York: Penguin Books, 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WADE</surname>
							<given-names>Nicholas</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>A troublesome inheritance</bold>: genes, race and human
						history</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Penguin Books</publisher-name>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>
