FLEXIBILIDADE E PADRONIZAÇÃO NA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: LIMITES E OPORTUNIDADES
DOI:
https://doi.org/10.12662/1809-5771ri.130.6305.p96-99.2026Palavras-chave:
Habitação, Minha Casa Minha Vida, Flexibilidade, Projeto ArquitetônicoResumo
O artigo analisa a produção recente de habitação de interesse social em Fortaleza, Ceará, inserida no contexto de grandes programas públicos de provisão habitacional que priorizam a redução de custos, a rapidez construtiva e a padronização dos projetos. O objetivo da pesquisa é compreender, a partir dos aspectos projetuais e construtivos, as limitações e as potencialidades de flexibilização pós-ocupação de um modelo habitacional amplamente construído na cidade entre 2000 e 2020. A metodologia baseia-se na análise dos projetos executivos urbanísticos, arquitetônicos e complementares de três conjuntos habitacionais implantados pelo Governo do Estado do Ceará, associada à discussão teórica sobre flexibilidade na arquitetura habitacional. Os resultados indicam que a rigidez espacial das unidades, associada à adoção de áreas mínimas, à setorização funcional estrita e à articulação entre o desenho arquitetônico e o sistema de alvenaria estrutural, limita significativamente as possibilidades de adaptação dos espaços ao longo do tempo. Essa configuração compromete a flexibilidade de uso, dificulta modificações internas seguras e tende a produzir inadequações espaciais, acelerar processos de obsolescência e intensificar situações de vacância ou intervenções informais. Conclui-se que a excessiva padronização e a desconsideração da diversidade de arranjos familiares reforçam a necessidade de incorporar a flexibilidade como atributo central tanto no projeto de novas habitações de interesse social quanto na reflexão sobre a requalificação de conjuntos existentes.
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