RACISMO AMBIENTAL E EQUIDADE GEOGRÁFICA EM FORTALEZA: UMA ANÁLISE A PARTIR DE DADOS CENSITÁRIOS
DOI:
https://doi.org/10.12662/1809-5771ri.130.6303.p174-177.2026Palavras-chave:
Racismo ambiental, Mudanças climáticas, Justiça Climática, FortalezaResumo
O racismo ambiental emerge como um conceito central para compreender a distribuição desigual dos riscos e benefícios ambientais nas cidades, especialmente em contextos marcados por desigualdades socioespaciais. No Brasil, apesar da ausência de uma segregação racial formalizada, a produção do espaço urbano revela padrões de vulnerabilização de populações não-brancas. Diante do agravamento da crise climática e da intensificação de eventos extremos, este artigo tem como objetivo analisar a equidade geográfica na cidade de Fortaleza, investigando a relação entre a distribuição espacial das populações negras e indígenas e sua proximidade a áreas ambientalmente vulneráveis. A pesquisa baseia-se na análise de dados do Censo Demográfico de 2022 e em informações cartográficas municipais, tratados por meio de técnicas de geoprocessamento. Foram elaborados mapas temáticos de recursos hídricos e manguezais, da distribuição étnico-racial por setor censitário e da sobreposição dessas variáveis com a localização de favelas e comunidades urbanas. Os resultados indicam que os maiores percentuais de população negra e indígena se concentram nas periferias da cidade, com forte incidência em áreas sujeitas a alagamentos, margens de rios e manguezais, enquanto os bairros mais valorizados apresentam menor presença dessas populações e melhores condições de infraestrutura urbana. Conclui-se que Fortaleza apresenta ausência de equidade geográfica na distribuição dos riscos ambientais, evidenciando a permanência de dinâmicas de racismo ambiental e a necessidade de políticas públicas orientadas pela justiça ambiental.
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